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‘A terra’: a favor e contra

Fez história no globo de Ouro, levando todas as estatuetas a que optaba e hoje, na Gala do Oscar, foi levado seis dos 14 prêmios para os que optaba. Mas, para além dos prémios e acima deles, “La La Land’ teve um grande mérito: o de não deixar ninguém indiferente, semear o debate e enfrentar opiniões. O de fazer com que a gente fala de cinema. E este é a favor/ contra “La La Land” TELVA.


La La Land.


“Se você quiser conhecer alguém de verdade, você tem que aprender a dançar com ele”, diz Emma Stone em filme. Totalmente de acordo. Apesar de danças fatal. Lança-te a dançar. Agora é o momento.


Desde o primeiro quadro em que se anuncia o cinemascope e a tela se expande em direção a seus extremos, um sorriso às vezes esquecida se vai desenhar na sua cara. Você verá um engarrafamento de trânsito em uma rodovia de Los Angeles, as pessoas, abaixando-se de seus carros e dançando uma coreografia em cadeia com música de orquestra: “It’s another day of sun”, cantam.


Como é que vai isso? Aproveite e ponto. Mas é um musical? Quase. Como os de antes? Isso se trata. É uma homenagem ao lugar de sonhos, a ilusão, a vontade de viver, o doce e o amargo do amor, e passo a elegância, o estilo, as palavras biensonantes, a música, e não máquinas, o ritmo.


Ryan Gosling e Emma Stone interpretam dois sonhadores. Ele é pianista de jazz e quer montar seu próprio local. Ela é atriz e enquanto fracassa em suas audições serve cafés em alguns estúdios de cinema. Quando se encontram, salta a faísca.


“Aqui está o insucesso do que somos”, canta a atriz. E torcendo para Gosling para que não abandone a sua paixão pelo autêntico jazz: “A gente adora a outras pessoas que contagia paixão pelo que faz, porque lhes lembra-se do que haviam esquecido”. Stone está perfeita, cativante, com seus olhos enormes, aparentemente doces que colidem com a sua voz grave de um estudante na segunda-feira. Gosling, o tipo que quando anda vai sempre pensando em algo, nos prende outra vez com esse mínimo rito de sorriso maroto. “Agora mais do que nunca, precisamos de esperança e romantismo em filmes, porque a realidade, muitas vezes, não está à altura de nossas fantasias”, disse o diretor, Damien Chazelle (Whiplash) após a projeção -e posterior reação – o filme no Festival de Veneza.


A terra‘ é já o nosso filme favorito deste ano -e dos últimos tempos – porque celebra a vida efervescente. Conta sem postureos uma história clássica, romântica, com ironia, que nos contagia e nos faz sonhar – espero que nunca nos esqueçamos de que o cinema é isso – e sair da sala, com um bom rolo muito bailongo. Porque não é o mundo, tristes.


Contra: Ana Iris Simão, redatora de estilo de vida TELVA.COM

La La Land.

Dizem de”La La Land“, que é necessária na ‘era Trump’. Que é um flash de luz no meio da escuridão que atravessamos. Que nada tão valioso como a sua capacidade de nos fazer sonhar, para nos fazer evadamos da realidade e que voltemos a acreditar em contos de fadas. Porque é isso que tinha a intenção de Chazelle com ‘La La Land“e que voltemos a acreditar em contos de fadas. Nos contos clássicos, os do amor romântico. E tem-no conseguido com a maioria mas o que tem de especial lançar mão de uma arma tão propalado como a da inocência dos contos?


Após uma brilhante ‘Whiplash’, que já colocou a Chazelle no ponto de mira de Hollywood, o diretor americano apostou em algo que muitos haviam feito antes e muitos farão depois: explorar no narcisismo da indústria, falar sobre Hollywood em Hollywood e com uma linguagem e uma narrativa 100% hollywoodienses. Chazelle aprofunda na “La La Land” no sonho americano em geral e o sonho de Hollywood, em particular, mas não se atreve a inovar nem a aprofundar a questão, como fizeram outras fitas, como ‘Mulholland Drive’ ou ‘Maps to the stars’.


Dizem de “La La Land”, que o seu grande desafio foi voltar para o clássico, atrever-se a render-lhe homenagem ao jazz em tempos de Spotify, voltar para os musicais de sempre, em um momento em que a música predominante é feita por uma única pessoa, e um punhado de aparelhos eletrônicos. Mas, quem acabou de ver “La La Land’ sabendo de jazz mais do que quando começou-ou sentindo que tinha visto um musical? Supõe-Se que o personagem interpretado por Ryan Gosling é um louco do bebop, do acid ou do hard bop, mas Chazelle não se atreve a embeber o filme, como fez com ‘Whiplash’, com referências ao gênero, nem com momentos musicais ‘jazzeros’ memoráveis. O resultado? Qualquer espectador sentirá mais (e aprender mais sobre) o jazz vendo qualquer filme de Woody Allen que ‘A terra’.


Como foi o caso com ‘The Artist’, em 2011, “La La Land’ é uma homenagem a Hollywood lançando mão de clichês e academicismo e propondo o velho como novo, resgatando o estilo clássico, com um pouco de betume barato e planteándolo como inovador. Tudo isso, claro, com uma história de amor de fundo. Com uma história de amor que não se livrar dos estereótipos de género: ela acaba (alerta de spoiler), com uma filha nos braços e feliz casada. Ele, bebendo em seu local. Nada de novo sob o Sol, nem mesmo sua cuidadísima fotografia.


 

‘A terra’: a favor e contra
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